Anchieta e o Rio que abre portas

Anchieta nasceu junto com um rio, e talvez seja por isso que o bairro nunca soube ficar parado. Rio é isso: corre, transborda, encontra caminho onde parecia não ter, carrega para longe o que não serve mais e deixa na margem o que precisa ficar. Foi ali, entre a água que às vezes invade as casas e a vida simples da zona norte do Rio, que um menino cresceu com um livro debaixo do braço, numa periferia que raramente recebia atenção de quem decidia as coisas por cima.

Esse menino é Pedro Gerolimich  – hoje conhecido por todo mundo como Pedro do Livro, mas antes de qualquer apelido, é simplesmente cria de Anchieta. Nasceu ali, foi criado ali, e carrega no corpo a mesma característica do rio que corta o bairro: abrir caminho mesmo quando o caminho não existe. Sua mãe conta, com a voz ainda emocionada, como os livros mudaram o rumo do filho – tiraram um garoto da rua e colocaram nas mãos dele um mundo inteiro para explorar. É uma história pequena, de dentro de uma casa, mas é o tipo de história que, replicada, muda um bairro inteiro.

Foi dessa água – a do rio e a da própria história de família – que nasceu a Casa Amarela. Porque assim como um rio não pertence a uma pessoa só, mas a todos que vivem de suas margens, o sonho que começou dentro de uma casa também não ficou preso ali. Transbordou. Encontrou outras famílias, outros moradores, outras mãos dispostas a construir junto. E hoje, na Praça Nazaré, a Biblioteca A Casa Amarela é exatamente isso: a prova de que uma história de família, quando compartilhada, também pode abrir portas para um bairro inteiro.

Uma construção que começou com Sebastião Gerolimich

Sebastião Gerolimich é lembrado por moradores de Anchieta e Parque Anchieta como uma importante liderança comunitária da Zona Norte do Rio de Janeiro. Sua memória permanece viva por meio da Praça Sebastião Gerolimich, conhecida como Praça da Caixa D’Água, localizada em Parque Anchieta, próximo à Rua Jalapa. O espaço é um importante ponto de encontro da comunidade e simboliza o reconhecimento de sua contribuição para o bairro.

O que se deu?

Décadas passaram, mas o nome Gerolimich nunca deixou de circular pelas ruas de Anchieta. O que Sebastião construiu em vida – reconhecimento, confiança, um lugar de encontro que o bairro decidiu não deixar esquecer – segue vivo hoje, só que de outra forma. A Praça da Caixa D’Água continua lá, ponto de referência para quem mora perto da Rua Jalapa. E a poucos metros dali, na Praça Nazaré, é o neto quem carrega adiante o mesmo compromisso: não mais uma praça, mas uma casa. Não mais só um espaço de passagem, mas um espaço de permanência – onde criança aprende a ler, mulher encontra renda, família encontra acolhimento.

É como se o bairro tivesse, sem perceber, formado duas gerações de referência dentro da mesma família: uma que deu nome a uma praça, outra que deu vida a uma biblioteca. Diferentes décadas, diferentes formas de servir – mas a mesma raiz, o mesmo chão, o mesmo compromisso silencioso de nunca deixar Anchieta se sentir esquecida. 

Mobilização comunitária

A história preservada pelos moradores associa Sebastião Gerolimich à mobilização da comunidade em busca de melhorias para Anchieta, como infraestrutura, equipamentos públicos e melhores condições de vida. Sua atuação representa o trabalho de lideranças populares que ajudaram a fortalecer a organização comunitária e a identidade do bairro.

INSERIR FOTO HISTÓRICA DA COMUNIDADE OU DE MOBILIZAÇÃO EM ANCHIETA

O legado da família Gerolimich

O compromisso com a comunidade permanece presente na trajetória de seu neto, Pedro Gerolimich, educador, geógrafo, escritor e ativista cultural. Nascido e criado em Anchieta, Pedro é um dos idealizadores da Biblioteca Comunitária A Casa Amarela, iniciativa criada em 2022 para ampliar o acesso à leitura, à cultura e à cidadania no bairro.

A família Gerolimich tem uma história marcada pelo compromisso com a comunidade de Anchieta, pela valorização da educação, da cultura e da participação popular. Como mãe de Pedro Gerolimich, Vilda acompanhou de perto a formação de um educador e ativista cultural que hoje dá continuidade a esse legado por meio da Biblioteca Comunitária A Casa Amarela e da atuação na Imprensa da Cidade.

Advogada de carreira, dona Vilda Gerolimich mora em Anchieta e recebeu homenagem da OAB/RJ recentemente

Lembrar de Sebastião Gerolimich é reconhecer a importância das lideranças comunitárias que ajudaram a construir a história de Anchieta. Seu legado permanece vivo na memória dos moradores, nos espaços públicos que levam seu nome e nas iniciativas que continuam transformando a realidade do bairro.

Gancho final: que abordar todos os anos e a casa amarela hoje como sonho do Pedro em fazer que anchieta não está apenas nas páginas policiais e sim, como um projeto de inclusão, de oportunidades.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Telegram

Leia também:

A geração que não quer se formar?

Pedro do Livro fala sobre um dado alarmante: 90% dos jovens adultos não pensam na universidade como 1ª opção de futuro

Tudo começou com um livro: a mihha Pedro do Livro

De Anchieta para o Rio, conheça a trajetória de Pedro do Livro e os projetos Livro de Rua, BookTruck, Casa Amarela e +Livros – Violência, que ampliam acesso e novas oportunidades.
plugins premium WordPress